segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Alô, Alô ?!?!

Algumas coisas me deixam perplexo e talvez uma das que mais me cause desconforto é a mania que o povo tem em focar o problema ao invés de focar na solução.

Um dos maiores exemplos é a telefonia móvel no Brasil. Pagamos as taxas mais altas pelos serviços e temos, creio eu, um dos piores atendimentos. Pensando rapidamente não consigo lembrar de nenhuma, NENHUMA pessoa que não tenha tido pelo menos um problema com as teles.

Contas que não são nada Claro, ligações nas quais não se consegue nem falar Oi, sinal mais morto do que Vivo. Tudo para você viver sem limites. Sem limites da paciência.

A cereja do bolo é que temos uma agência - ANATEL - que tem como função regulamentar e fiscalizar a operação das telefônicas. Não consigo vislumbrar um panorama onde não existisse essa agência tão eficaz. Você só conseguiria telefonar uma vez por dia? Suas contas viriam multiplicadas como Gremilins?

No site da ANATEL (http://www.anatel.gov.br/Portal/exibirPortalInternet.do#) é tido como missão da agência:
 "A missão da Anatel é promover o desenvolvimento das telecomunicações do País de modo a dotá-lo de uma moderna e eficiente infra-estrutura de telecomunicações, capaz de oferecer à sociedade serviços adequados, diversificados e a preços justos, em todo o território nacional."

"...oferecer à sociedade serviços adequados...e a preços justos..." Creio que essa parte ficou apenas na intenção porque a realidade é bem distante disso.

A coroação vem com a criação de um tribunal especial cível apenas para atendimento de problemas relacionados a telefonia móvel. BRILHANTE! Ao invés de fiscalizar e resolver o problema na raiz, não, vamos apenas resolver a situação daqueles que já foram lesados, que ja perderam dias de tranquilidade, que ja perderam compromissos, que foram colocados no SPC sem serem comunicados. Não se previne, não se evita que o erros ocorram, o ônus sempre fica por conta da parte lesada.

Minha esperança é uma mudança na forma de se encarar as coisas e que se busque a resolução dos problemas na sua essência, não a resolução das consequencias do problema. Citei apenas o caso das operadoras de celular mas podemos extrapolar para praticamente todas as esferas de governo - problemas de trânsito, desastres ambientais, entre outros. Enquanto não houver um gerenciamento e uma visão holística dos problemas dificilmente sairemos dessa pendenga eterna.

domingo, fevereiro 06, 2011

Procuro uma mulher

Fazendo uma faxina nos arquivos do pc, eis que me deparo com esse texto (poesia) excelente escrito por Luis Alberto Mendes para a revista Trip no já distante ano de 2007. Obra-prima. Faço minhas, as palavras dele.

Eu procuro uma mulher que não seja louca por novela e que procure comigo as entranhas da realidade de cada momento. Uma companheira para sentir que o mundo é um bom lugar e que vale a pena lutar. Alguém em quem descansar meus olhos e sorrir suavemente. Parceira que me toque com os movimentos de sua existência. Aquela de quem não posso fugir nem um milímetro para dentro de meus olhos, sem que me perceba.
Procuro uma mulher que não seja boba em me querer, porque sabe quem sou e que não deixarei de ser por nada. A quem debitar todos meus créditos e vice-versa, com prazer. Aquela aliada que por existir me faça amar a vida a ponto de querer viver para sempre. Cuja marca transforme a história de meu tempo. Uma mulher que me queira então por inteligência, porque não sabe o que posso fazer de mim.

Uma companheira que não compreenda tudo: a vida, o motivo de tanto sofrimento, mas com quem possa dar boas risadas zombando disso tudo. Assim, de carne, mesmo que tenha osso no pescoço, e não se importe que meu sorriso não tenha 32 dentes. Alguém cheio de dúvidas como eu e que, mesmo por conta disso, jamais exagere sua importância. Faz-se absolutamente necessário que compreenda: após criar alguma coisa, melhoro sensivelmente para a vida. Que, ao sair, deixe uma luz acesa em meus olhos e aquela ternura que entorpece em cada um de meus membros.

A parceira firme como a calha do rio, ciente que as águas jamais serão as mesmas e sempre passarão. Aquela que me escapam as palavras na vã tentativa de conquistar a cada dia. A dona de minha poesia. E cujo sorriso me surpreende sempre a me perguntar em como aquela mulher pode gostar de mim. Alguém de quem eu sinta fome e que me comunique força, muita força para colher temporais que plantei. Uma pessoa que me comunique mobilidade e crescente competência para existir. Gente que me faça sentir encantado com todo esse tumulto que a paixão provoca.

Procuro aquela mulher que mesmo angustiada e mergulhada no desespero de viver, não me procure apenas para fugir. Que não veja em mim apenas o preenchimento do vazio que devora, o insuportável que se obriga a suportar. Alguém que se destaque desse meio sorriso cínico de resignação e deboche que vejo nas pessoas aqui fora. Essa companheira que é fogo e que tem pressa de arder, pois sabe que depois que nascemos, não há mais onde nos esconder.

Quase não acredito que encontre, mas creio que com o calor de minha alma, calarei e consentirei em esperar, mesmo que eternamente.

Composto por Luiz Mendes em 11/08/2007.