terça-feira, janeiro 25, 2011

Parabéns São Paulo

Hoje São Paulo completa 457 anos.
Vivi em São Paulo durante meu doutorado e no período de 3 anos me apaixonei por essa cidade maluca. Morando em Pinheiros tive a possibilidade de desfrutar do melhor que São Paulo pode oferecer.
São Paulo já foi cantada e declamada por muitos mas talvez Tom Zé seja aquele que mais na essência se aproxima dessa miscelânea maluca que é a cidade, e "Augusta, Angélica e Consolação" seja a música que pontualmente chega ao âmago. Como o próprio Tom Zé diz, um dos versos mais lindos compostos por ele esta nesta canção - "Quando vi que o Largo dos Aflitos, não era assim tão largo pra caber minha aflição"


Augusta, Angélica e Consolação

Tom Zé

Augusta, graças a deus,
Graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Augusta, que saudade,
Você era vaidosa,
Que saudade,
E gastava o meu dinheiro,
Que saudade,
Com roupas importadas
E outras bobagens.
Angélica, que maldade,
Você sempre me deu bolo,
Que maldade,
E até andava com a roupa,
Que maldade,
Cheirando a consultório médico,
Angélica.
Augusta, graças a deus,
Entre você e a angélica
Eu encontrei a consolação
Que veio olhar por mim
E me deu a mão.
Quando eu vi
Que o largo dos aflitos
Não era assim tão largo
Pra caber minha aflição,
Eu fui morar na estação da luz,
Porque estava tudo escuro
Dentro do meu coração.




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sábado, janeiro 22, 2011

Vidas de passagem

Para quem vive viajando - seja de ônibus ou avião - acabamos compartilhando obrigatoriamente momentos com pessoas desconhecidas. Por alguns momentos (as vezes por horas e dias) partilhamos não só o destino final da viagem mas a viagem em si. Não falo apenas de viagens para outras cidades ou país, mas das viagens diárias no ônibus para o trabalho.

O ônibus pode estragar, pode acontecer algum acidente, o pneu pode furar. Impreterivelmente, você e o anônimo ao seu lado estarão inexoravelmente partilhando aquele momento. Passageiros da vida, partilhamos momentos com pessoas que mal conhecemos.

Sempre fui um tanto quanto nômade e especialmente nos últimos tempos tenho viajado bastante. Quase sempre acabo por engatar uma boa conversa com meu vizinho de poltrona e confesso que me delicio com as estórias de vida que escuto.
Acho sempre maravilhoso quando saio da bolha acadêmica na qual vivo. Na época do doutorado, achava ótimo ir ao curso de inglês porque tinha contato com pessoas que trabalhavam com coisas completamente diferentes - marceneiro, operador da bolsa, designer de jóias - universos completamente diferentes.

No caso das viagens, a conversa uma vez iniciada acaba por virar um continuo e é interessante como as pessoas acabam por confidenciar algumas coisas. Insatisfações com casamentos, com a vida que levam. Talvez pelo fato do momento efêmero da passagem no  ônibus e que não haver o risco de julgamentos e deliberações, ou seja, não ficaram ouvindo sermão.

Já conheci agente da inteligência da polícia federal, que me ensinou a descobrir quando uma mulher gosta realmente de mim (táticas infalíveis!), um ex-careca com um implante perfeito, uma empresária bem sucedida que não tem tempo para aproveitar o dinheiro que ganha, um piloto de caça da aeronáutica brasileira, e uma ex garota de programa casada com um sueco (essa tinha estória!)

O gostoso desses momentos é justamente essa abertura, essa transparência. Afinal a vida seria muito mais interessante se vivêssemos aproveitando nossa vida, com respeito aos outros, mas sem preocupação com o julgamento alheio. No fim as coisas não são difíceis, nós é que gostamos de complicar

sexta-feira, janeiro 07, 2011

A saga dos concursos docentes (ou indecentes)

Rumo a mais um concurso para a vaga de docência no ensino superior.

Sinceramente acho que o quadrinho abaixo representa muito o que sinto


Mas vamos lá.

"All in all it's just another brick in the wall"

quarta-feira, janeiro 05, 2011

A nada mole vida das plantas

Após a repostagem da "Puberdade das plantas" fiquei com vontade de iniciar uma série sobre fisiologia vegetal. Pretendo escrever pelo menos quinzenalmente a respeito de alguns pontos da fisiologia vegetal de um modo mais leve e contextualizado com o dia dia.

O estresse é interpretado como um fator advindo do estilo de vida do homem moderno. Dificilmente quando alguém pensa em uma situação de estresse irá pensar em uma paisagem de campo ou em plantas. Porém as plantas convivem rotineiramente como uma vida tão, ou mais, estressante quanto a vida das grandes cidades.

O estresse pode ser considerado como um desvio significativo das condições ótimas para a vida, e induz a mudanças e respostas em todos os níveis funcionais do organismo, as quais são reversiveis a princípio, mas podem se tornar permanentes.

As plantas estão frequentemente expostas a condições de estresse ambiental, afinal elas não podem se locomover na busca de condições mais propícias.

Alguns fatores podem ser tornar estressantes em poucos minutos, como a temperatura do ar; enquanto outros como o conteúdo de água no solo, podem levar dias ou semanas para se manifestar. Mesmo nos locais onde as condições são constantemente favoráveis para a maioria das plantas, tal como em uma densa floresta, a exuberância da vegetação representa uma desvantagem para alguns membros da comunidade. Não há um local totalmente livre de estresse; o estresse moderado deve ser considerado como uma situação normal da vida e não como um estado excepcional.

O estresse desempenha um papel importante na determinação de como o solo e o clima limitam a distribuição das espécies vegetais. As condições ambientais de um local irão permitir que apenas as espécies que apresentam modificações adaptativas para aquelas condições possam se desenvolver.

Como resposta ao estresse podem ocorrer modificações de aclimatação ou de adaptação. Se a tolerância a um estresse aumenta como conseqüência de uma exposição anterior a esse estresse, diz-se que a planta esta aclimatada. A adaptação refere-se a um nível de resistência geneticamente determinado, adquirido por um processo de seleção durante muitas gerações. A adaptação e a aclimatação resultam de eventos integrados que ocorrem em todos os níveis de organização, desde o anatômico e morfológico até o celular, bioquímico e molecular.

Frequentemente existe uma boa correlação entre a intensidade do fator de estresse e a resposta induzida. Todo órgão da planta é afetado pelo estresse, mesmo se apenas uma parte limitada da planta foi inicialmente envolvida. A coordenação da resposta de estresse no corpo da planta é realizada pelas substâncias de crescimento, semelhantes aos hormônios nos animais.

As plantas podem evitar as condições de estresse seja espacialmente germinando apenas em ambientes adequados, ou temporalmente por meio da promoção de crescimento durante o período que apresenta condições favoráveis.


Estresse hídrico

Talvez a condição de estresse para as plantas, mais corriqueira e mais facilmente entendível é o estresse hídrico. O deficit hídrico pode ser entendido como a pouca disponibilidade de água no estado apropriado a planta. Esta situação pode ocorrer devido a uma variedade de razões, como a intensa evaporação, água ligada osmoticamente aos solos salinos ou devido ao congelamento do solo. Dessa forma, as estratégias de resistência a seca variam com as condições ambientais.

A primeira e mais sensível resposta ao déficit hídrico é a diminuição da turgescência (a planta murcha) e, associada a esse evento, a diminuição do processo de crescimento. A diminuição da área foliar pela queda das folhas é uma resposta precoce ao déficit hídrico. O ajustamento da área foliar é uma mudança importante a longo prazo, que beneficia a adequação da planta a um ambiente com limitação hídrica, uma vez que os estômatos – responsáveis pela liberação do vapor d’agua na planta – encontram-se predominantemente nas folhas.

O déficit hídrico acentua o aprofundamento das raízes, sendo considerado a segunda linha de defesa contra a seca. O aprofundamento das raízes ocorre em virtude de um maior direcionamento de assimilados (açucares em geral), uma vez que a inibição da expansão foliar reduz o consumo de carbono e energia. A redução da área foliar e o aprofundamento das raízes são estratégias durante a desidratação lenta e a longo prazo. 

Quando o começo do estresse é mais rápido ou a planta alcançou sua área foliar plena antes de iniciar o estresse, outras respostas protegem contra a desidratação imediata. 

O fechamento estomático pode ser considerado a terceira linha de defesa contra a seca. A maior limitação provocada pelo estresse hídrico à fotossíntese refere-se a menor concentração de CO2 disponível promovido pelo fechamento dos estômatos levando ao “paradoxo dos poros”, onde se busca maximizar a entrada de CO2 e minimizar a saída de água.

As alterações adaptativas, ou seja, aqueles que estão presente no genoma da planta, podem ocorrer via o aumento no depósito de cera sobre a superfície celular, presença de tricomas brancos e claros, deposição de sais, e estômatos localizados em criptas ou em depressões.

Então na próxima vez em que você se refrescar no ar condicionando no calor do meio-dia ou se deliciar com um copo d’agua gelado , lembre-se que as plantas em geral estarão passando por um momento de grande estresse.