domingo, dezembro 26, 2010

Amor para 2011

O amor talvez seja o sentimento mais discutido da estória da humanidade. Sempre se busca uma padronização, se cultua, mas realmente só sabemos quando estamos presenciando. E não serei o louco em tentar conceituar o amor.

De qualquer forma só estou passando para desejar um 2011 com muito amor. E os deixo com Paulinho Moska que em seus versos lança luzes sobre o amor.




quinta-feira, dezembro 23, 2010

Balancete 2010


Final de ano é hora de programar como será o próximo ano, e uma coisa que gosto muito é rever como foi o ano que se finda.

Este ano pode ser considerado como um dos piores de minha vida. Foi talvez a ocasião em que cheguei mais próximo do fundo do poço, o mais próximo de uma depressão patológica.

Vinha de um ano no qual tive uma experiência de trabalho em Manaus que me debilitou na quase totalidade de minha vida. Na parte física pelo sedentarismo e acúmulo de gordura - voltei para BH com 25% de gordura, ou seja, 1/4 do meu corpo era banha - na parte psicológica pelo fato de voltar a morar na casa dos pais após 13 anos morando fora; na parte profissional e ética, por esperar um panorama mais favorável a conseguir emprego e por ter enfrentado críticas pelo fato de ter pedido demissão em virtudes de aspectos nos quais a ética era ausente e os quais me neguei a ser conivente. Abri mão de um salário consideravel e podia simplesmente empurrar com a barriga, mas são atitudes que não coadunam com o papel de professor.

A região amazônica sofre com muitas carências e com a ausência de mão de obra especializada, de gente que tenha interesse em realizar um trabalho sério e integro, e foram esses pontos que foram essenciais para meu aceite nesta empreitada. Entretanto me deparei com um panorama onde observei que as pessoas não tinham interesse na mudança, que a inércia, a habituação e a conivência com atos espúrios era a pratica comum.

No meu regresso imaginava que as coisas mudariam mas as coisas não se deram dessa forma. Pelejei com concursos. Sofri com o fatídico concurso da EMBRAPA, no qual fui reprovado, aprovado e reprovado em um mesmo ato. O emocional nessa estória foi para o espaço em uma entrevista de emprego, na qual me encaixava perfeitamente, e fui perguntado sobre concursos.

Ouvi algumas vezes - "..mas você é um pesquisador jovem, bonito, daqui a pouco você arruma um bom trabalho."

Como já é de praxe, quando surge uma oportunidade, aparecem mais dez juntas. Repentinamente recebi convites de pós doc para a UFMG, UFV, UFLA e UFS. E então no meio do ano fui me reerguindo, me reconstruindo. Tive a oportunidade de conhecer ótimas pessoas na UFMG e de fazer a vida circular novamente.

Riobaldo em o "Grandes Sertões Veredas" disse: "Mira e veja. O bonito da vida é isso, as pessoas não estão nunca prontas. Afinam e desafinam". Estou no meu processo de afinar. Voltando a ter uma postura ereta, voltando a aprumar o corpo.

Apesar de considerar como um dos piores anos, não guardo rancor de 2010. Aprendi muita coisa e principalmente aprendi sobre mim mesmo.

Espero que 2011 seja excelente e seja um momento de consolidação e conquistas, e cada vez mais estejamos afinados com a vida!

sexta-feira, dezembro 10, 2010

A puberdade das plantas

Tirando a poeira de uma publicação antiga feita para uma colaboração com o Obvious

Quando ocorrem mudanças de estações freqüentemente se observa um festival de flores, especialmente quando falamos da primavera. É fácil observar que algumas plantas florescem quando há alteração do comprimento do dia e alteração das temperaturas. Esta é uma estratégia das plantas que possibilita que os frutos e as sementes sejam produzidos no período no qual o ambiente apresenta condições favoráveis, particularmente quanto à água e à temperatura.

Tal como nos animais, as plantas passam por um período onde ocorre apenas o crescimento em tamanho, e posteriormente após um período de “puberdade”, elas tornam-se capaz de produzir flores e frutos, tal como uma transição entre a infância e a fase madura. Em algumas plantas esse período de “puberdade” é acompanhado por uma modificação da arquitetura foliar, como no caso da Hera (Hedera helix). Então porque determinadas plantas e especialmente árvores, demoram alguns anos para começarem a produzir flores? O que faz com que ocorra a transição de fase, ou como a planta passa da infância, na qual ela só vegeta, para a vida adulta, na qual produz flores e frutos?

Durante muitos anos, houve grande debate a respeito de um suposto “florígeno”, ou uma substância que seria produzida somente para a indução do florescimento. Na busca por essa resposta, um grupo de pesquisadores espanhóis, holandeses e americanos, publicou um artigo na revista Science de abril de 2010, no qual colocam uma luz sobre esse grande enigma. Este grupo de cientista observou que um gene denominado APETALA 1 (APT1) é o responsável pela indução ao florescimento, integrando o desenvolvimento e os diferentes reguladores de crescimento. Aparentemente o gene AP1 atua reprimindo os genes envolvidos no desenvolvimento vegetativo, estabelecendo o desenvolvimento, de maneira orquestrada, das partes florais, tais como sépala e pétalas.

A planta, como um ser séssil, que não pode se movimentar, apresenta um crescimento indeterminado, ou seja, os órgãos são formados ao longo de todo o desenvolvimento e em resposta a diferentes condições do ambiente. A planta apresenta uma região conhecida como meristemática, na qual as células não apresentam diferenciação de função, servindo como um reservatório para a formação de células com características específicas. A transição de fases necessita de um processo de reprogramação das células meristemáticas, sendo que o gene AP1 permite que as células anteriormente programadas para formação de caules e folhas, passem a produzir flores.

Esta descoberta amplia as possibilidades de produção de flores e frutos em curtos intervalos de tempo, especialmente para árvores. Em árvores no qual o período juvenil seja muito longo - algumas espécies demoram mais de vinte anos para a transição de fase e produção dos primeiros frutos – a futura manipulação na atividade do gene AP1 permitirá a produção de flores e frutos em um curto espaço de tempo, facilitando também o trabalho dos melhoristas vegetais.


Publicado em abril no (http://obviousmag.org/archives/2010/04/genetica_-_a_puberdade_das_plantas.html)

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Retorno eterno


Depois de 2 anos de ausência e uma busca incessante para a recuperação do acesso do blog, estou de volta.
O retorno em muito se deve a iniciativa de figuras ilustres como @thiagomaframg com seu "Papo sério, furado e afins", @matheus_rajao com seu "Sorvete de frango", e @italodovale com seu homonimo "Italo do Valle".

Nesse momento da web estória, onde a morte dos blogs ja foi decretada, parece um contrasenso reanimar esse morto-vivo. Entretanto creio que será um espaço para opiniões que demandem uma linha de raciocinio um pouco mais longa do que os 140 caracteres do Twitter, e sempre virá a somar.

Como já exposto por Zuenir Ventura, passamos por uma fase onde temos tanto acesso a uma grande quantidade de informação que nos sentimos empazinados, como se comessemos uma feijoada bem gordurosa, sem direito a laranja para ajudar na digestão. O blog tem a pretensa intenção de ajudar na formação do "quilo" e na deglutição dessa massa de informação.

Veremos como será o andamento!