Tempos atrás uma propaganda veiculada na televisão mostrava uma planta carnívora com problemas digestivos e uma das reclamações da planta é que não tinha pés para sair e buscar um remédio para o estômago (licença poética né pessoal).
E o grande questionamento é: como as plantas fazem quando falta algum nutriente, quando há uma condição de estresse ou há alguma alteração nas condições anteriormente boas?
Como as plantas são organismos sésseis, que não podem se locomover na busca de recursos ou na fuga de condições adversas coube a plasticidade das células vegetais responder a estas adversidades.
As plantas apresentam um desenvolvimento diferenciado dos animais. Quando nascemos todas as estruturas já estão pré formadas, o recém nascido é um adulto em miniatura, requerendo apenas um amadurecimento de seus sistemas. Na planta são estabelecidas apenas as regiões que serão os centros de formação dos demais órgãos. Estas regiões são conhecidas como meristemas. Elas são ricas em células sem diferenciação, sem especialização, que podem dar origem a qualquer órgão vegetal: folha, raiz ou fruto.
A principio todas as células vegetais são totipotentes, ou seja, são capazes de se dividir e dar origem a uma planta completa. Essa é a propriedade buscada por vários pesquisadores que trabalham com células animais uma vez que a partir uma única célula seria possível o desenvolvimento de órgãos específicos.
Uma diferença fundamental entre os vegetais e os animais é a presença de uma parede celular rígida delimitando as células vegetais. Em animais, as células embrionárias podem migrar de um lugar para o outro, resultando no desenvolvimento de órgãos e tecidos contendo células que se desenvolveram em diferentes partes do organismo. Nos vegetais as migrações celulares são impedidas pois existe a lamela média a qual liga firmemente as células adjacentes. Como conseqüência o desenvolvimento vegetal ao contrário do animal, depende exclusivamente dos padrões de divisão e expansão celular.
É a plasticidade, a capacidade das células vegetais em se reprogramarem e se desenvolver de modo diferenciado em resposta ao ambiente, que permitiu a presença de vegetais por todo o globo, e deu "asas e pernas" para buscarem os recursos que necessitavam para o crescimento.

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