
Final de ano é hora de programar como será o próximo ano, e uma coisa que gosto muito é rever como foi o ano que se finda.
Este ano pode ser considerado como um dos piores de minha vida. Foi talvez a ocasião em que cheguei mais próximo do fundo do poço, o mais próximo de uma depressão patológica.
Vinha de um ano no qual tive uma experiência de trabalho em Manaus que me debilitou na quase totalidade de minha vida. Na parte física pelo sedentarismo e acúmulo de gordura - voltei para BH com 25% de gordura, ou seja, 1/4 do meu corpo era banha - na parte psicológica pelo fato de voltar a morar na casa dos pais após 13 anos morando fora; na parte profissional e ética, por esperar um panorama mais favorável a conseguir emprego e por ter enfrentado críticas pelo fato de ter pedido demissão em virtudes de aspectos nos quais a ética era ausente e os quais me neguei a ser conivente. Abri mão de um salário consideravel e podia simplesmente empurrar com a barriga, mas são atitudes que não coadunam com o papel de professor.
A região amazônica sofre com muitas carências e com a ausência de mão de obra especializada, de gente que tenha interesse em realizar um trabalho sério e integro, e foram esses pontos que foram essenciais para meu aceite nesta empreitada. Entretanto me deparei com um panorama onde observei que as pessoas não tinham interesse na mudança, que a inércia, a habituação e a conivência com atos espúrios era a pratica comum.
No meu regresso imaginava que as coisas mudariam mas as coisas não se deram dessa forma. Pelejei com concursos. Sofri com o fatídico concurso da EMBRAPA, no qual fui reprovado, aprovado e reprovado em um mesmo ato. O emocional nessa estória foi para o espaço em uma entrevista de emprego, na qual me encaixava perfeitamente, e fui perguntado sobre concursos.
Ouvi algumas vezes - "..mas você é um pesquisador jovem, bonito, daqui a pouco você arruma um bom trabalho."
Como já é de praxe, quando surge uma oportunidade, aparecem mais dez juntas. Repentinamente recebi convites de pós doc para a UFMG, UFV, UFLA e UFS. E então no meio do ano fui me reerguindo, me reconstruindo. Tive a oportunidade de conhecer ótimas pessoas na UFMG e de fazer a vida circular novamente.
Riobaldo em o "Grandes Sertões Veredas" disse: "Mira e veja. O bonito da vida é isso, as pessoas não estão nunca prontas. Afinam e desafinam". Estou no meu processo de afinar. Voltando a ter uma postura ereta, voltando a aprumar o corpo.
Apesar de considerar como um dos piores anos, não guardo rancor de 2010. Aprendi muita coisa e principalmente aprendi sobre mim mesmo.
Espero que 2011 seja excelente e seja um momento de consolidação e conquistas, e cada vez mais estejamos afinados com a vida!
Um comentário:
Pô Leo, belo texto, mas quanta barra que vc passou esse ano hein?
Nem sabia que vc tava em Manaus antes.
Mas é isso aí, 2011 vai ser melhor, com certeza.
Abs
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