sábado, janeiro 22, 2011

Vidas de passagem

Para quem vive viajando - seja de ônibus ou avião - acabamos compartilhando obrigatoriamente momentos com pessoas desconhecidas. Por alguns momentos (as vezes por horas e dias) partilhamos não só o destino final da viagem mas a viagem em si. Não falo apenas de viagens para outras cidades ou país, mas das viagens diárias no ônibus para o trabalho.

O ônibus pode estragar, pode acontecer algum acidente, o pneu pode furar. Impreterivelmente, você e o anônimo ao seu lado estarão inexoravelmente partilhando aquele momento. Passageiros da vida, partilhamos momentos com pessoas que mal conhecemos.

Sempre fui um tanto quanto nômade e especialmente nos últimos tempos tenho viajado bastante. Quase sempre acabo por engatar uma boa conversa com meu vizinho de poltrona e confesso que me delicio com as estórias de vida que escuto.
Acho sempre maravilhoso quando saio da bolha acadêmica na qual vivo. Na época do doutorado, achava ótimo ir ao curso de inglês porque tinha contato com pessoas que trabalhavam com coisas completamente diferentes - marceneiro, operador da bolsa, designer de jóias - universos completamente diferentes.

No caso das viagens, a conversa uma vez iniciada acaba por virar um continuo e é interessante como as pessoas acabam por confidenciar algumas coisas. Insatisfações com casamentos, com a vida que levam. Talvez pelo fato do momento efêmero da passagem no  ônibus e que não haver o risco de julgamentos e deliberações, ou seja, não ficaram ouvindo sermão.

Já conheci agente da inteligência da polícia federal, que me ensinou a descobrir quando uma mulher gosta realmente de mim (táticas infalíveis!), um ex-careca com um implante perfeito, uma empresária bem sucedida que não tem tempo para aproveitar o dinheiro que ganha, um piloto de caça da aeronáutica brasileira, e uma ex garota de programa casada com um sueco (essa tinha estória!)

O gostoso desses momentos é justamente essa abertura, essa transparência. Afinal a vida seria muito mais interessante se vivêssemos aproveitando nossa vida, com respeito aos outros, mas sem preocupação com o julgamento alheio. No fim as coisas não são difíceis, nós é que gostamos de complicar

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